A Que Essa Mídia Se Presta…
A pergunta que dá título a este texto é das que nos assombram na calada da noite, quando o ruído da sociedade do espetáculo cede lugar ao silêncio fecundo da consciência. Vivemos imersos numa avalanche de informações, imagens e sons. Mas a que serve, verdadeiramente, essa mídia?
Se pararmos para pensar, a mídia, em sua acepção mais nobre, deveria ser uma ponte entre a realidade e a compreensão. Uma ferramenta para expandir horizontes, para nos conectar com o outro, para nos fazer pensar. No entanto, não raro, ela se presta ao contrário: ao embrutecimento, ao consumo vazio, à repetição do mesmo.
O poeta Thiago de Mello, nosso grande mestre das águas e das palavras, nos ensinou que a vida é uma grande teia. E o que fazemos, senão tecer fios de sentido com os fiapos do cotidiano? É aí que a mídia, quando bem temperada pela ética e pela cultura, pode cumprir seu papel maior. Não a mídia que aliena, mas a que liberta. Não a que uniformiza, mas a que celebra a diversidade do Acre, da Amazônia, do mundo.
Este texto, esta humilde página, a que se presta? Presta-se a ser um varal de ideias. Um lugar onde o pensamento pode secar ao sol, arejar, ser visto. Onde a crônica do dia a dia encontra abrigo. Onde o cinema, a literatura e a filosofia são convidados a assentar na mesa de casa.
Num tempo de algoritmos e bolhas, insistir na palavra pensada, no texto que requer lentidão, é um ato quase revolucionário. É dizer não à ditadura do imediato. É servir a uma causa maior: a da memória, da beleza, da justiça. Que essa mídia se preste, portanto, a nos lembrar quem somos e o que podemos vir a ser.