A Mesa

Há algo de sagrado em uma mesa. Seja ela de jantar, de trabalho ou de centro de sala, a mesa é o ponto de convergência. É onde colocamos o pão, onde repousamos os livros, onde nossos cotovelos se apoiam enquanto pensamos.

Ontem, ao passar os dedos sobre a madeira de minha mesa de carvalho, senti as ranhuras deixadas pelo tempo. Lembrei-me de quantas vezes ela suportou a fúria das palavras escritas à mão, das xícaras de café derramadas, dos abraços desesperados. A mesa testemunha. Ela não julga.

Em tempos de isolamento, ela se tornou o palco de reuniões virtuais, de aulas online, de trabalho remoto. Mas sua essência permanece: a mesa ainda é o lar das cartas, dos objetos queridos, da caneca que nos aquece.

A mesa do escritor é seu campo de batalha. Em cada poema escrito, em cada crônica, a mesa recebe o peso das palavras. O silêncio da mesa é mais eloquente que qualquer discurso. Nela, a solidão se transforma em criação.

A mesa de centro da sala guarda revistas, fotografias e recordações. É onde colocamos os pés após um longo dia e onde as crianças desenham. É também o centro das conversas informais.

Nas mesas da Biblioteca da Floresta, em Rio Branco, muitos visitantes já se sentaram para ler. Cada mesa guarda o eco de páginas viradas. São testemunhas silenciosas do conhecimento.

Que a mesa continue sendo um símbolo de comunhão. Em um mundo de telas, a mesa é o lugar onde ainda podemos tocar, sentir e partilhar. Onde o humano se encontra.

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