Meu Poeta Professor

Há pessoas que passam por nossas vidas e deixam marcas indeléveis. Meu poeta professor foi uma delas. Não apenas um mestre nas salas de aula, mas um guia espiritual que me apresentou o poder transformador da palavra. Com sua voz pausada e olhar atento, ele recitava poemas de Thiago de Mello e Manoel de Barros, enquanto o cheiro da terra molhada entrava pela janela. Era como se cada verso fosse uma semente plantada em nossa alma.

Ele me ensinou que a poesia não é um luxo, mas uma necessidade – uma forma de resistir à dureza do mundo. Nas suas aulas, aprendi que a literatura brasileira é um espelho da nossa diversidade e das nossas lutas. Discutíamos ética, filosofia e política com a mesma paixão com que declamávamos versos de Carlos Drummond de Andrade. Ele acreditava que o conhecimento não pode ser enclausurado; deve ser compartilhado como a chuva que rega a floresta.

Lembro-me dos debates acalorados sobre a ditadura da dublagem e a importância da cultura nacional. Ele nos instigava a pensar criticamente, a questionar o estabelecido. Seu exemplo me inspirou a enveredar pelos caminhos da escrita e da militância cultural. Foi com ele que descobri que a crônica pode ser um ato de resistência.

Hoje, quando escrevo neste blog, carrego comigo os ensinamentos do meu poeta professor. Cada texto é uma homenagem a ele e a todos os educadores que fazem da sala de aula um palco de transformação. Sei que ele continua vivo nas palavras que plantou.

Este artigo é um tributo singelo a esse homem que foi, ao mesmo tempo, poeta e professor – e que me mostrou que a vida pode ser vivida como um poema.