A Imbecilização do Brasil

Não é de hoje que observamos um movimento perigoso no seio da sociedade brasileira: o elogio da ignorância, o fortalecimento do pensamento tacanho, a imbecilização programática.

O que estamos a viver não é fruto do acaso. É um projeto cuidadosamente orquestrado por aqueles que se beneficiam de uma população sem crítica, sem história e sem memória. A escola que deveria libertar, muitas vezes aliena. A mídia que deveria informar, distrai. A política que deveria representar, corrompe.

Neste cenário, o pensamento complexo é tratado como inimigo. A filosofia é ridicularizada. A poesia é vista como inútil. Tudo o que escapa ao imediatismo do mercado precisa ser desqualificado.

Thiago de Mello, em sua lucidez amazônica, nos legou: "Não, não tenho nada a ver com a noite. Eu sou da luz da manhã." A imbecilização quer nos convencer de que a noite é eterna. Mas a aurora é uma escolha coletiva.

A própria ferramenta que poderia democratizar o saber, a internet, tornou-se uma câmara de eco da estupidez. Algoritmos nos empurram para o abismo do mesmo, do raso, do que não exige esforço. Precisamos romper com essa ditadura do raso. Não basta estar conectado; é preciso estar atento.

Mas há resistência. Ela está na leitura silenciosa de um livro, no debate acalorado entre amigos, na sala de aula onde um professor ainda ousa perguntar "por quê?". Como nos ensina a Biblioteca da Floresta, no Acre, a memória e a cultura são atos de resistência.

O antídoto para a imbecilização é o pensamento crítico, é a arte que incomoda, é a literatura que expande horizontes. É resgatar a capacidade de se indignar com o óbvio. É preciso defender a educação como prática da liberdade, como sonhou Paulo Freire.

A imbecilização do Brasil não é um decreto divino. É uma construção humana e, como tal, pode ser desconstruída. Cabe a nós, brasileiros, rejeitarmos o papel de idiotas úteis e assumirmos o papel de cidadãos pensantes. O Brasil que sonhamos não é o país do futebol e do samba como escape, mas o país da educação, da cultura e da justiça social. Esse é o Brasil que vale a pena construir, artigo por artigo, leitura por leitura, pensamento por pensamento.

Que possamos fazer do nosso cotidiano um exercício constante de reflexão. Que o Varal de Idéias continue sendo este espaço de resistência literária e filosófica, onde se penduram pensamentos para secar ao sol da verdade e da justiça.