O SOL NAS BANCAS DE REVISTA…

Uma crônica de Marcos Afonso sobre o sol nas bancas de revista.

Não há momento mais tranquilo do que o da manhã nas bancas de revista. O sol, ainda baixo, banha as capas de revistas e jornais, criando um mosaico de luz e cor. É quando os sentidos se aguçam: o cheiro do papel, o ruído das páginas, o movimento calmo dos primeiros leitores.

As bancas de revista são templos da informação. Elas guardam o que o mundo produziu nas últimas horas. O sol, ao tocá-las, parece abençoar cada título, cada imagem. Como escreveu o poeta, “a luz que ilumina o jornal também cega o distraído”.

Lembro-me das bancas de minha infância, no centro de Rio Branco. O sol parecia mais quente, as revistas mais coloridas. Havia um cheiro de papel e de pó que ainda me transporta no tempo.

Na era digital, as bancas podem parecer relíquias. Mas o sol que as aquece pela manhã é o mesmo que iluminou os primeiros impressos. Há nisso um ensinamento: a notícia passa, a luz fica. As bancas, como sentinelas, oferecem o instante e a eternidade juntos.

É fácil passar por elas sem notar. Mas quando se presta atenção, vê-se que o sol nas bancas de revista é uma das mais sinceras metáforas do tempo: o papel que se curva, os caracteres que se apagam, a luz que renova.

Convido o leitor a, na próxima vez que passar por uma banca, parar e observar a luz. É um espetáculo que não sai caro, mas que alimenta a alma.

Este texto é uma homenagem a esse ritual silencioso que acontece todos os dias, nas calçadas das cidades do Acre e do Brasil.

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