Cheguem até a borda…

CHEGUEM ATÉ A BORDA… Este é o convite que ecoa como um verso solto no ar. Chegar até a borda é ir ao limite do conhecido, do seguro, do já vivido. É parar no exato instante em que o chão se desfaz para dar lugar ao vazio — e, ainda assim, sustentar o olhar.

Na filosofia, a borda é o lugar do pensamento que ousa confrontar seus próprios limites. É a fronteira entre o que dizemos e o que silenciamos, entre o que sabemos e o que apenas intuímos. Chegar até ela é um gesto de coragem intelectual: não para saltar, mas para enxergar melhor o horizonte.

Na literatura, tantos poetas e cronistas já nos falaram da borda. Ela pode ser a beira do abismo, a margem do rio, a linha do horizonte no mar. Cada um de nós possui uma borda pessoal — um ponto onde as certezas vacilam e o novo se anuncia. Alcançá-la é, muitas vezes, o primeiro passo para qualquer transformação.

A borda também é um conceito presente em outras áreas do saber. Na psicanálise, a noção de limite entre o consciente e o inconsciente opera como uma borda psíquica — lugar de tensão e de criação. Na arte, pintores como Caspar David Friedrich representaram a figura solitária diante do abismo, em contemplação. Chegar até a borda é, nessa perspectiva, um ato estético e existencial: parar onde o chão termina e o horizonte se abre, sem a pressa de saltar.

Este texto curto é um convite para que você, leitor, pense na sua própria borda. Pode ser um projeto adiado, um medo a enfrentar, uma palavra não dita. O importante é não parar antes. Como nos lembra o verso que dá título a esta página: cheguem até a borda. O mergulho — se houver — virá depois, no tempo de cada um.

← Voltar para o Varal de Idéias