NOSSA BANDEIRA VERMELHA!
Não me perguntem o que significa. A bandeira vermelha não se explica, se sente. Ela é o sangue que pulsa na história de quem nunca se curvou. Cresci vendo essa cor nas mangas dos livros de poesia, nas mãos dos trabalhadores, na memória dos que lutaram pela floresta em pé. No Acre, ela tem o cheiro da terra molhada, o gosto do açaí e a força do povo que não se cala.
Há quem veja apenas uma cor. Eu vejo o amanhecer sobre a Gameleira, vejo a chama que nunca se apagou na Biblioteca da Floresta. Nossa bandeira vermelha não é dogmatismo, é esperança. É o fio que liga a luta dos seringueiros aos versos de Thiago de Mello. É a certeza de que o homem não é para a guerra, mas para o abraço.
O vermelho é também a cor da memória. Nos pés de acapu da floresta, nos rastros deixados pelos seringueiros, no suor das mulheres que carregam a história nas mãos. Ela não precisa de partido, porque sua raiz é mais antiga: é a cor da terra molhada do Acre, do açaí que nos alimenta e do fogo que aquece as noites de luta. Essa cor nos lembra que a resistência começa no chão que pisamos e se espalha como a copa das árvores na várzea.
Que ela tremule sempre. Nos quintais, nos livros, nas conversas de bar. Porque enquanto houver injustiça, o vermelho será a cor da insubmissão. E a nossa bandeira, companheiros, é feita de luta e poesia — as duas coisas mais genuínas que o povo acreano carrega no peito.
Ela está viva. Cada vez que um jovem pega um livro, cada vez que um trabalhador levanta a cabeça, cada vez que a poesia encontra voz nos becos de Rio Branco. Nossa bandeira não se dobra, porque é feita da mesma matéria dos sonhos. E sonho é coisa que não se prende.
Sigamos. Com a bandeira vermelha em punho e o coração cheio de sonhos. O amanhã nos espera, e ele será tão belo quanto a nossa capacidade de lutar por ele. Que nunca nos faltem a poesia e a coragem para manter acesa essa chama que ilumina os caminhos da justiça.