BOFF: “MARINA TEM DE APOIAR DILMA”

O teólogo Leonardo Boff, ícone da Teologia da Libertação e figura histórica na defesa dos direitos humanos e da ecologia, publicou um texto contundente no qual defende que Marina Silva deve declarar apoio a Dilma Rousseff no segundo turno das eleições presidenciais de 2014. A declaração, que ecoou nos meios políticos e nas redes sociais, expõe as complexas costuras do campo progressista brasileiro.

Boff argumenta que, apesar das divergências e mágoas do passado — como a saída de Marina do PT —, o momento político exigia uma união das forças populares e democráticas contra o que ele considerava um risco de retrocesso representado pelo candidato tucano Aécio Neves. Para Boff, a continuidade dos projetos sociais inclusivos e a soberania nacional estavam em jogo.

Marina Silva, que teve uma votação expressiva no primeiro turno, se via em uma encruzilhada. Sua base eleitoral, formada por evangélicos, ambientalistas e setores da classe média, estava dividida. A pressão para que apoiasse Dilma vinha não apenas de Boff, mas de amplos setores da intelectualidade e dos movimentos sociais que a acompanhavam desde sua atuação no Acre. A decisão de Marina, ou a ausência dela, tornou-se um dos capítulos mais dramáticos daquele pleito.

O apelo de Boff ressoa em uma tradição de pensamento que vê a política como um campo de dilemas éticos e de opções estratégicas. Em um estado como o Acre, de onde ambos os pensadores possuem fortes laços, a cobrança por uma "coerência maior" era ainda mais intensa. A pergunta que ecoava não era apenas sobre nomes, mas sobre o futuro do projeto democrático-popular no Brasil.

Para quem acompanha o debate público brasileiro, especialmente na Amazônia, a figura de Marina Silva sempre ocupou um lugar central na luta ambiental e no desenvolvimento sustentável. Sua trajetória no Acre, ao lado de Chico Mendes, lhe conferiu uma estatura moral inquestionável. O apelo de Boff, portanto, não era apenas político, mas uma convocação à memória e à coerência com as origens. Era um pedido para que, diante do perigo do retrocesso político, as lideranças progressistas se reencontrassem em torno de um projeto comum para o Brasil.

Mais do que um apoio tático, o texto de Boff convidava a uma reflexão sobre alianças, identidade e o papel dos intelectuais na política brasileira. Uma provocação que ainda hoje alimenta os debates sobre a memória política recente do país e sobre o verdadeiro significado da ética na vida pública.

Leia mais artigos no Varal de Idéias