É preciso muito tempo para se tornar jovem

Essas palavras, frequentemente atribuídas a Pablo Picasso, encerram uma verdade que a correria do mundo moderno insiste em obscurecer: a juventude não é um acidente cronológico, mas uma conquista espiritual. Ser jovem de verdade não é ter poucas rugas, é ter olhos que ainda brilham diante do novo. É conservar a capacidade de se indignar, de se emocionar, de recomeçar. Como bem dizia o poeta, “é preciso muito tempo para se tornar jovem”. E esse tempo não é linear: é um tempo de experiência, de leitura, de viagens, de amores e desamores, de silêncio e de palavra.

O filósofo e cronista Marcos Afonso, autor deste espaço, sempre insistiu que a cultura é o caminho para a humanização. No Varal de Idéias, temos pendurado textos que secam ao sol da reflexão. Cada artigo, cada dica de filme ou de livro é um fio nessa grande tapeçaria do amadurecimento. Afinal, não envelhece quem se permite aprender continuamente. O Acre, com sua floresta densa e seus rios caudalosos, nos ensina sobre o tempo da natureza — lento, cíclico, generoso. A Biblioteca da Floresta, em Rio Branco, é um monumento a essa sabedoria: guardiã de memórias que não se apagam.

Numa época obcecada pela juventude instantânea — filtros, cirurgias, produtividade a qualquer custo —, recusar a pressa é um ato de resistência. Tornar-se jovem exige despojar-se das certezas absolutas, da armadura que construímos para nos proteger da vida. É um retorno à vulnerabilidade criadora, àquela que nos permite enxergar o mundo como ele realmente é: mistério e beleza. Cada um de nós carrega um jovem que precisa de tempo para nascer.

Na Biblioteca da Floresta, em Rio Branco, guardam-se livros e memórias que resistem ao tempo. Cada volume é um testemunho de que o conhecimento amadurece como o vinho. O próprio autor deste blog, Marcos Afonso, em suas crônicas, nos lembra que a verdadeira pátria é a infância — mas uma infância que se reconquista a cada dia, com olhos novos para o mundo. É isso que significa tornar-se jovem: desaprender o cinismo e reaprender o encanto.

Que este texto sirva de convite para desacelerar. Pegue um café, folheie um livro, assista a um filme com olhos de quem nunca viu. Descubra que a verdadeira idade está na rigidez do coração, não no calendário. E lembre-se: é preciso muito tempo para se tornar jovem. Talvez toda uma vida seja suficiente.