O Tempo e a Beleza do Efêmero
Há uma certa magia naquilo que dura pouco. O pôr do sol que se desfaz em segundos, a conversa que termina num abraço, a estação que cede lugar à próxima. Talvez o maior exercício da vida seja aprender a valorizar o que não se repete, o que está prestes a se tornar lembrança.
Vivemos tempos em que a urgência parece ditar cada passo. O relógio corre, as telas piscam, as notificações não cessam. Nesse ritmo, o que é mais simples acaba passando despercebido. Um café tomado devagar, o vento batendo no rosto, o silêncio de uma manhã sem pressa. Esses são os momentos que, quando somados, constroem a textura da existência.
O escritor e poeta nos ensina a desacelerar, a observar, a sentir. Em seus textos, o cotidiano ganha uma dimensão quase sagrada. É na varanda de casa, na praça do bairro, na banca de jornal da esquina que a vida se revela em sua plenitude. A crônica brasileira sempre teve esse dom de transformar o ordinário em arte, de extrair filosofia de um gesto simples.
A literatura e a filosofia, duas grandes paixões do autor deste espaço, sempre caminharam lado a lado na tentativa de dar sentido à nossa passagem pelo mundo. Dos gregos antigos aos poetas contemporâneos, a pergunta pelo sentido da vida não se cala. E a resposta, talvez, não esteja em grandes tratados, mas na disposição de reparar no que é miúdo, no que é singelo.
Que possamos, então, abrir espaços na agenda para o improgramável. Deixar que o acaso nos surpreenda. Cultivar a escuta, o olhar demorado, a presença integral. Afinal, o tempo não é inimigo — é matéria-prima. E a beleza do efêmero está justamente em nos lembrar que cada instante é único, insubstituível, e merece ser vivido com a atenção que lhe é devida.